Como a Psicoterapia Pode Ajudar na Procrastinação

     A procrastinação é um fenômeno complexo, frequentemente associado à tentativa de evitar emoções negativas como ansiedade, medo do fracasso, insegurança e perfeccionismo. Estudos recentes demonstram que a psicoterapia é eficaz para tratar esse padrão comportamental. Nela, é oferecida um espaço seguro para explorar essas conexões e desenvolver novas formas de se relacionar com seus objetivos. É um espaço que possibilita: 

1. Compreensão das Causas 

A psicoterapia oferece um espaço seguro para explorar as causas emocionais e cognitivas da procrastinação. Muitas vezes, o adiamento de tarefas está relacionado à esquiva experiencial — ou seja, evitamos tarefas para não sentir emoções desagradáveis.

2. Reestruturação Cognitiva

Auxilia na identificação e modificação de pensamentos automáticos negativos, como “não vou conseguir” ou “não sou bom o suficiente”, que alimentam a procrastinação. Ao desafiar essas crenças, o paciente passa a agir de forma mais funcional.

3. Aceitação das Emoções

Ao aceitar, invés de evitar as emoções, a pessoa aprende a agir de acordo com seus valores, mesmo diante do desconforto emocional 

4. Estratégias Práticas e Mudança de Comportamento

A psicoterapia oferece ferramentas práticas, como técnicas de gerenciamento do tempo, contratos comportamentais e definição de metas realistas (Otermin-Cristeta & Hautzinger, 2018). Essas estratégias ajudam a quebrar o ciclo de procrastinação e promovem mudanças duradouras.

5. Redução da Autoculpa e Promoção da Autocompaixão

A psicoterapia trabalha a autocompaixão, reduzindo o ciclo de culpa e autocrítica que perpetua a procrastinação. Isso diminui a ansiedade e aumenta a motivação para agir.

 

     Deste modo, a psicoterapia não apenas “trata” os sintomas da procrastinação, mas atua em suas causas emocionais, cognitivas e comportamentais, promovendo mudanças profundas e duradouras. O acompanhamento profissional é fundamental para que o paciente desenvolva novas formas de lidar com suas demandas, aumentando a produtividade, o bem-estar e a qualidade de vida.

 

Referências

  • Hayes, S. C., Wilson, K. G., Gifford, E. V., Follette, V. M., & Strosahl, K. (1996). Experiential avoidance and behavioral disorders: A functional dimensional approach to diagnosis and treatment. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 64(6), 1152–1168.
  • Otermin-Cristeta, S., & Hautzinger, M. (2018). Developing an intervention to overcome procrastination. International Journal of Psychology and Psychological Therapy, 18(1), 55-66.
  • Rozental, A., Forsell, E., Svensson, A., Andersson, G., & Carlbring, P. (2015). Treatments for procrastination: A systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. Internet Interventions, 2(2), 138-144.
  • Sirois, F. M. (2014). Out of sight, out of time? A meta–analytic investigation of procrastination and time perspective. European Journal of Personality, 28(5), 511-520.